É TEMPO DE AGIR
Em uma hora muitas coisas podem acontecer. É o tempo do treino da academia, do horário do almoço, da fila do banco, do capítulo final de um livro e de uma palestra. Nestes mesmos 60 minutos, 23 pessoas morrem em decorrência do uso de drogas. São 23 histórias desperdiçadas. São 23 vidas. E esse número só aumenta a cada minuto.
O que podemos fazer para mudar isso? Não é possível parar o tempo, mas podemos construir um futuro consciente sobre drogas.
Capacitar as pessoas com informações é uma forma de fortalecer a rede de prevenção. Quanto mais pessoas preparadas, maiores as chances de transformar esta realidade. A rede de Agentes Multiplicadores foi criada com este propósito.
Por isso, o Conselho Municipal sobre Drogas de Sorocaba (COMAD) em parceria com a Clínica Terapêutica Viva realizarão na semana do dia 20 a 24 de Setembro o III Curso de Capacitação de Agentes Multiplicadores.
O evento conta com renomados especialistas como Alessandra Diehl, Neide Zanelatto, Roberta Payá, Daniel Cordeiro, Luiz Fragetti e Luca Santoro que estarão reunidos para discutir um inimigo comum: as drogas.
reunidos para discutir um inimigo comum: as drogas. Os assuntos tratados serão diversos, como tratamento, família, legislação sobre drogas, tabagismo e juventude.
As inscrições podem ser feitas somente no site, a partir do dia 4 de Setembro e vão até o dia 12 de Setembro, ou até todas as vagas serem preenchidas. “É importante que se inscrevam apenas as pessoas que realmente tiverem vontade e disponibilidade de participar, pois nesse ano temos vagas limitadas”, destaca a Dra. Maria Clara Suarez, psiquiatra presidente do COMAD de Sorocaba.
O projeto Agentes Multiplicadores é realizado anualmente pelo COMAD de Sorocaba e faz parte das ações de responsabilidade social da Clínica Terapêutica Viva. Tem o apoio da Uniso (Universidade de Sorocaba) e ONG Lua Nova.
É noite. Os enfermeiros batem à porta da família Correa. “Tem alguém doente aqui?”, pergunta Danilo (Cauã Reymond). “Tem, meu filho, você”, diz sua mãe. Neste momento enfermeiros aplicam um tranquilizante no jovem que, na novela, é um dependente de drogas que é levado para uma clínica de reabilitação. A cena levada ao ar nesta semana na novela Passione (Globo), mostra a realidade de famílias que convivem com a dependência química dentro de casa e que recorrem ao tratamento, com internação involuntária, por ser a medida necessária no momento da vida do paciente para evitar a gravidade da doença que possivelmente poderia trazer mais consequências negativas como por exemplo: a morte ou outras doenças e problemas relacionados as drogas.
Em outro momento, a mãe de Danilo, interpretada por Maitê Proença, surge se questionando se era correto proceder desta maneira. O outro filho, interpretado por Kaiki Brito, reforça que sim, que era a única saída para quem já estava dominado pelo uso de drogas e que estava perdendo a vida.
Já na Clínica, o médico explica os procedimentos do tratamento da doença de Danilo. Fica evidente que o autor quer mostrar a complexidade da doença, da dependência química. Paralelamente, a novela levanta o debate sobre a internação involuntária, desnecessária segundo a visão de profissionais que defendem um tratamento ambulatorial como suficiente para tratar dependentes químicos, mas fundamental na visão de quem trata po exemplo: os dependentes de crack, uma das mais devastadoras das drogas.
Até o momento, a novela aborda a dependência de drogas de uma forma instrutiva, ressaltando a doença, a necessidade de tratamento profissional e a internação involuntária como medida necessária para o tratamento. “É, sem dúvida, uma maneira de orientar a população sobre a maneira correta de encarar a dependência de drogas”, diz a psicóloga Luciana Yukiko, da Clínica Terapêutica Viva.
Um assunto que sempre volta como pauta em período eleitoral é a descriminalização das drogas. O início da discussão no âmbito nacional partiu da proposta de liberar o consumo da maconha, considerada uma droga “leve” na opinião de seus defensores. A partir dela, poderia ser possível liberar o uso de todas as drogas.
De acordo com Ledir Porto, candidato a Deputado Federal, é preciso entender que descriminalização é diferente de legalização. A primeira propõe que o usuário de maconha, por exemplo, não esteja sujeito a nenhum tipo de sanção ou processo judicial se for flagrado cultivando, portando ou consumindo a droga.
A legalização, por sua vez, abrangeria toda a cadeia – produção, distribuição e comercialização em larga escala –, transformando a maconha em um produto como outro qualquer, sujeito a regulamentações, impostos e fiscalização.
Nenhuma das propostas muda o fato de que drogas fazem mal tanto para quem usa quanto para quem é vítima do descontrole que ela provoca.
Para Ledir Porto, o Brasil não está preparado para entrar num debate de tamanha escala. “Não podemos ser convencidos por ideias de descriminalização das drogas diante de um quadro tão grave como há no Brasil do uso de crack, por exemplo”.
Pesquisas apontam que o vício em drogas mais potentes começa a partir das consideradas “leves” como maconha e álcool. “E vemos claramente que os índices de violência estão, na maioria das vezes, intimamente ligados ao uso de drogas lícitas e ilícitas. Estamos falando de assaltos à residências e comércios, violência doméstica, assassinatos…”, falou Ledir.
O candidato à Deputado Federal preocupa-se com a questão. “Imagine-se num Brasil que tivesse todas as drogas liberadas. Você, adulto, se vê numa festa infantil recebendo maconha na bandeja, por exemplo? Isso soa como absurdo! Veja que o Brasil não consegue controlar o consumo do álcool e sofre com a violência no trânsito todos os dias. Em que país viveríamos se as drogas fossem liberadas?”, disse Ledir, que ainda completa:
“Não podemos esquecer que hoje em dia a maconha tem sido misturada com outras substâncias entorpecentes. Há jovens poli-usuários de drogas justamente por isso”.
No Brasil, 8,8% da população já utilizou maconha pelo menos uma vez, segundo pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas da Unifesp.
Cautela
Ao analisar o tema “Descriminalização das drogas” historicamente, percebe-se que a sociedade não tem avaliado muito bem os riscos do uso de uma nova droga ou uma nova forma de uso de uma velha droga.
Por exemplo: há dezenas de anos, o avanço tecnológico do cigarro fez explodir o número de consumidores. Por muito anos, os danos físicos associados ao cigarro não foram identificados nem o aumento da demanda no sistema de saúde considerado.
Muitos governos chegavam mesmo a estimular o consumo do fumo, ávidos pelos ganhos com os impostos. Levou-se mais de 40 anos para os países desenvolvidos identificassem os males causados pelo fumo de uma forma definitiva e outros 20 anos para implementarem políticas que pudessem começar a reverter a situação.
“Esta lentidão em reconhecer danos faz com que mudanças no status de qualquer droga deva ser encarada com extremo cuidado. Para isso, é preciso discutir com o assunto com menos paixão e mais informação”, completou Ledir Porto.
Fonte: Zero Hora
1. A França prossegue na linha conservadora com relação à política sobre o fenômeno representado pelas drogas proibidas. O conservadorismo do governo Nicolas Sarkozy não destoa dos anteriores, incluído o do falecido François Mitterrand, que era socialista.
O governo francês proibiu a instalação de “salas seguras” para uso de drogas ilícitas, conhecidas na Europa como narcossalas.
Nesta semana, as duas associações de maior prestígio no campo da redução de riscos e danos, quer individuais quer sociais, apresentaram moções de repúdio.
Em dois comunicados distintos, a Associação Nacional para a Prevenção ao Alcoolismo e à Dependência (ANPAA) e a Associação para a Redução de Riscos (AFR) criticaram o governo francês pela proibição.
A ANPAA, por exemplo, propõe “que a comissão consultiva nacional de ética para a ciência da vida e da saúde pública seja investida de atribuições para discutir e deliberar sobre questões sociais ( Nota do blog: narcossalas) referentes aos progressos na área do conhecimento”.
Para os membros da ANPAA, a “história epidemiológica e a experiência clínica demonstram que o projeto de uma sociedade sem consumo de drogas é ilusório. As posturas proibicionistas e repressivas são inócuas. Isto porque uma cura raramente se dá apenas com a abstinência”.
A abstinência, prossegue a ANPAA na sua moção de repúdio à vedação governamental à abertura de narcossalas, cria maior exclusão. Ou seja “afasta dos sistemas de proteção e de acompanhamento da parcela frágil e frequentemente marginalizada de consumidores de drogas proibidas”.
2. No campo dos direitos humanos, as narcossalas representam práticas sócio-sanitárias. Além de locais seguros para consumo, oferecem programas de emprego, informações e assistência médica permanente.
O modelo europeu considerado de sucesso foi o implantado em Frankfurt, na Alemanha, em 1994, quando a cidade tinha cerca de 6 mil dependentes químicos. Até a Suíça trocou as praças pelos ambientes fechados e controlados.
Em Frankfurt, o número de usuários e dependentes caiu pela metade até 2003. Além disso, outras oito cidades alemãs adotaram as salas seguras. Os hospitais e os postos de saúde, antes das narcossalas, atendiam 15 casos graves por dia, com um custo estimado de 350 euros por intervenção. Tais resultados inspiraram a Espanha, que realiza experiências com as salas seguras.
O sistema alemão oferece acolhida aos que vivem marginalizados e em péssimas condições de saúde e econômicas. Foi, sem dúvida, uma forma de aproximação, incluindo cuidados médicos, informações úteis e ofertas de formação profissional e de trabalho. Com isso, o uso de drogas injetáveis despencou 50%.
Reduziram-se também significativamente os casos de Aids e outras patologias correlatas ao consumo de drogas proibidas. Vale destacar ainda que, entre os usuários que ingressaram nos programas de narcossalas, caiu o índice de mortalidade em virtude da melhora da qualidade de vida. Por sua vez, as mortes por overdose também baixaram, tendo o mesmo sucedido, no campo da microcriminalidade, com os delitos relacionadas ao consumo de drogas.
A experiência de Frankfurt serviu para afastar a tese de que as narcossalas poderiam estimular os jovens a ingressar no mundo das drogas. Pesquisas realizadas por autoridades sanitárias demonstraram que os jovens de idade entre 15 e 18 anos da cidade não partiram para o uso de heroína ou cocaína e menos de 1% nunca provou uma dessas drogas na vida. Um levantamento epidemiológico revelou o aumento na idade do consumidor: subiu para entre 30 e 34 anos.
As narcossalas, nos lugares onde foram implantadas, deram certo não só em relação à redução da demanda, mas também pela contribuição positiva quanto aos aspectos e práticas humanos, solidários e de reinserção social. Na Alemanha, as federações do comércio e da indústria apoiaram com cerca de 1 milhão de euros os programas das narcossalas.
PANO RÁPIDO. Como alertou o professor Uwe Kemmesies, da Universidade de Frankfurt, “podemos reconhecer que a oferta de salas seguras para o consumo de drogas melhorou a expectativa e a qualidade de vida de muitos toxicodependentes que não desejam ou não conseguem abandonar as substâncias”.
Fonte: Wálter Fanganiello Maierovitch (jurista e professor)
O diálogo pode prevenir o alcoolismo. Uma simples conversa entre profissionais de saúde e pacientes com comportamento de risco em relação ao álcool foi capaz de reduzir em 72% os quadros de dependência ligados à bebida, de acordo com um estudo divulgado ontem pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A pesquisa foi realizada com 4.335 pacientes que deram entrada nos serviços públicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Programas de Saúde da Família (PSF). Desses, 208 foram classificados pela Unifesp com potencial para o desenvolvimento de dependência química.
Em comum, os pacientes foram diagnosticados com alguns problemas físicos ou sociais relacionados ao abuso de bebidas alcoólicas. Coordenadora da pesquisa e docente da Unifesp, a biomédica Maria Lucia Souza Formigoni ressalta que o resultado foi observado em pacientes que ainda não tinham diagnóstico de dependência química.
Por meio de uma única conversa (sessão), denominada ‘intervenção breve’, os profissionais faziam o aconselhamento de pacientes que estavam sob o risco de desenvolver alcoolismo. “Buscamos entender as razões que o levaram a beber, para depois orientar o paciente”, conta Maria Lucia. “É uma ajuda para a ‘ficha cair’. Nosso objetivo é que o paciente entenda os problemas que esse consumo abusivo pode trazer”, completa.
Medicamentos não foram usados na intervenção – um dos fatores que tornam a prática bastante atraente para o serviço público de saúde. “Uma internação é quase sempre mais cara que intervenções”, compara a vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, Ilana Pinsky.
Outra facilidade sinalizada pela técnica é que o diálogo com o paciente não precisa ser conduzido necessariamente por um médico. Qualquer profissional, mediante treinamento, pode aplicar os princípios da intervenção breve – um enfermeiro, por exemplo.
No entanto, a técnica não é aconselhada para todos os casos relacionados ao consumo de álcool, alerta a psiquiatra da Unidade de Dependência Química do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Camila Magalhães Silveira. “É eficaz para reduzir o risco pesado do uso do álcool. Não serve para pacientes que já têm um quadro de dependência”, diz.
Fonte: Jornal da Tarde
